Tuesday, May 22, 2007

Lula, meu sogro e o meio ambiente

Estava hoje andando por Florianopolis com meu sogro - senhor com seus 84 anos e uma experiencia de vida respeitável. Falavamos sobre o escândalo da Moeda Verde que resultou na prisão de alguns figurões da cidade. Todos de alguma forma estavam envolvidos em tentativas de ludibriar nossas leis ambientais. Temos infratores desde os que tentam a todo custo obter o licenciamento ambiental para um campo de golfe no norte da ilha, onde temos restingas habitadas por um lagartinho elusivo - o Liolaemus occipitallis, que é uma espécie ameaçada e digna de proteção. Além disso rumora-se na ilha que temos um aquifero por debaixo das dunas. Diga-se de passagem que os moradores de Florianópilis enfrentam sérios problemas com a falta de abastecimento hídrico no verão. O tão falado e desejado campo de golfe iria consumir toneladas de agrototóxicos para manter a sua cobertura de grama com uma bela aparência. O agrotóxico contaminaria seriamente o aquífero. A imprensa atua de maneira similar a que vimos no antigo filme do Spilberg "Tubarão", onde fizeram tudo para abafar a presença do grande comedor de pessoas. Aqui ressalta-se a beleza do campo de golfe e sua atração aos ilustres turistas.

Temos ainda outros infratores que tem usado muito dinheiro em propinas para comprar licenças ambientais para construir condominios de luxo nos mais diversos locais da ilha - geralmente sobre áreas florestais.

Sim, precisamos de moradias, mas precisamos de um bom sistema de tratamento do esgoto produzido por todo este crescimento urbano que Floripa tem apresentado nos ultimos 5 anos. A cidade cresceu, mas o sistema de tratamento de esgotos não acompanhou a musica.
Meu sogro comentava que os ambientalistas estão complicando as coisas, uma vez que ous outros paises comprometaram o meio ambiente também. Isto me faz lembrar nosso então Presidente José Sarney proferindo uma das frases mais clássicas do contemplacionismo: "se eles poluiram, nós também podemos poluir".

Esta ideia é a mesma que meu sogro estava usando para justificar seu raciocício, como o fez nosso atual Presidente Lula. Fabio Olmos elaborou sobre o mesmo tema recentente: "Lula implica que, se a Europa perdeu suas florestas durante a Idade Média e a Renascença (hoje a área florestada está crescendo) isso justifica que o Brasil desmatasse, em média, 21.000 km2 da Amazônia a cada ano de seu primeiro mandato, algo “nunca antes” visto na história brasileira. Quando o presidente diz que "têm poucos países no mundo que têm autoridade moral para falar em desmatamento com o Brasil" fico a pensar se ele sabe do que fala."

Eu cheguei a usar um exemplo chulo na minha discussão com meu sogro. Disse que o meio ambiente é como nossa casa. Se todos começam a fazer cocô em qualquer lugar a todo momento, nossa casa fica literalmente uma latrina.

Na realidade, isso está acontecendo por todos os lados. Ao caminharmos pela Beira Mar Norte em Floripa e admirarmos o por do sol por detras da Serra do Tabuleiro, sentimos o cheiro do esgoto a todo instante e podemos observar socós, garças e outras aves forrageando na saida dos esgotos.

Deparamos com problemas mais sérios ao viajarmos pelo nosso interior, cruzando por monótonas paisagens com campos de soja e de milho sem ver quase nenhuma mata ciliar. Os agroindustriais derrubaram praticamente toda a cobertura florestal. Isso lembra outro problema grave que estamos vivendo: o descaso da população e das autoridades com a questão ambiental. Para qualquer obra que possa agredir o meio ambiente é necessario os estudos de impacto ambiental (tambem chamados de EIA/RIMAs). Quase todos estes empreendimentos citados realizaram um estudo de impacto ambiental cumprindo a legislação.

Mas...

Maria Tereza Padua escreveu recentemente que: "O importante é notar que não se conhece qualquer empreendimento que tenha sido negado peremptoriamente durante o processo de licenciamento. Por incrível que possa parecer nenhum estudo até o presente concluiu pela inviabilidade da obra. Projetos que foram inviabilizados o foram por outros motivos, sejam eles políticos, econômicos ou técnicos. Assim, os EIA/Rimas são feitos e refeitos tantas vezes quanto necessário até que a obra seja autorizada. As autorizações podem levar muito tempo, como no caso das demoras atualmente tão criticadas pelos governantes dos mais altos escalões, mas eles sabem bem que as obras que patrocinam serão inelutavelmente aprovadas. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deverá andar a qualquer custo, incluindo o futuro de muitos brasileiros."

Exatamente isso, todos os empreendimentos conhecidos variando de gigantescas barragens hidreletricas como Barra Grande ao campo de golfe do Costão do Santinho em Florianópolis tiveram EIA/RIMA. Barra Grande foi licenciada após o terrorismo do nosso governo federal clamando a todos os cantos do mundo que o APAGÃO é uma ameaça ao nosso crescimento. O campo de golfe do Costão do Santinho está paralizado por enquanto.

Outro empreendimento que que segue elusivamente pela nossa midia é o Projeto Anitápolis que apresentou um EIA/RIMA muito incompleto nada informativo. O empreendimento está sob os olhos do Ministério Publico Federal, mas continua com suas atividades de lobby pelo estado. Este empreendimento, caso aprovado pode contaminar com metais pesados e radioatividade o ar e o Rio Braço do Norte. Alguma noticia em nossa midia televisiva, ou impressa sobre isso? Até o momento nada. Possivelmente seus reporteres correrão até Anitápolis para noticiar alguma catástrofe que ocorrer eventualmente como acontece em atividades de mineração como a extração do fosfato.

Nosso Presidente Lula e sua Ministra Dilma fazem uma campanha danada para a liberação das hidreletricas na Amazônia. Fabio Olmos em outra coluna recente cita o seguinte:" Célio Bermann, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, em entrevista feita à Folha de São Paulo, em 27 de abril, afirma que “efetivamente não precisa construir uma nova usina... O Brasil tem hoje aproximadamente 70 usinas com mais de 20 anos que poderiam sofrer uma repotenciação [troca das turbinas]". Segundo o professor, 60% das metas do PAC seriam atingidas."

Nosso presidente e sua ministra não acreditam nisso e fazem campanha pelas usinas na Amazônia. O atual governo conseguiu ainda desmembrar o já precário IBAMA pensando justamente nisso - em afastar os ambientalistas no processo do licenciamento. Atualmente os empreendimentos tem sido aprovados causando desastres ambientais sérios como o foi Barra Grande. Com o desmembramento do Ibama a situação ficará uma vergonha nacional.

Isso tudo ao som do novo lema do governo: Se os outros destruiram, que moral tem eles de nos criticar?

Novo?

1 comment:

Margot said...

Nossa Jorge, muito legal teu site e trabalho!!
Amo a natureza, sou voluntaria do Ibama e fiquei muito feliz em ver mais alguem se preocupando com o meio ambiente.
Parabens!!
Bjuss