Thursday, May 11, 2006

ALTO RIO BRAÇO DO NORTE: ESTILO DE VIDA EM RISCO




No ultimo fim de semana 6-7 de maio, aconteceu em Santa Rosa de Lima a Gemuse Fest. Uma celebração alemã com comida típica e muita dança folclórica alemã. Os municípios da região estavam todos representados por seus grupos de dança que deram uma apresentação muito bonita. A idade dos dançarinos variava desde a terceira idade até crianças. A comida estava gostosa e a empolgação dos visitantes e participantes era grande.

Estávamos diante da demonstração de um estilo de vida com base na agroecologia e agricultura em geral. O rendimento financeiros daquelas pessoas depende em grande parte da terra que exploram. Santa Rosa de Lima é uma das cidades mais conhecidas no pais como um pólo da agroecologia e do desenvolvimento sustentável. Graças a esta fama, outros municípios vizinhos estão buscando seguir o seu exemplo.

O passado e o futuro dançam alegres - por quanto tempo?


Enquanto olhava maravilhado a performance dos dançarinos e a alegria das famílias na Genuse Fest, perguntava aos meus botões será que estas famílias todas não estão cientes da ameaça que paira no ar contra este estilo de vida baseado na sustentabilidade? Que ameaça? Poucos quilômetros Rio Braço do Norte acima, próximo a suas cabeceiras, está a serra em forma de ferradura que emoldura o Rio do Pinheiro em Anitapolis. Um emprendimento de vulto está planejado para se estabelecer no vale do Rio do Pinheiro.

Que pretende este empreendimento? Explorar a jazida de fosfato que está situada abaixo do solo do vale do Rio do Pinheiro. Para que este fosfato? Para alimentar o avanço da soja na Amazônia. Sim um projeto de utilização do fosfato que jaz sob uma serra coberta com uma exuberante floresta atlantica ombrofila densa com uma area de mais de 50 mil hectares. Com o possível andamento deste projeto teremos comprometida esta floresta em Anitapolis, poluído o Rio Braço do Norte junto a sua nascente e ainda, de lambuja, contribuído com o desmatamento já em grande escala na Amazônia pela expansão do soja.


Este projeto será levado a efeito pela AGRECO e a ADS (Associação do desenvolvimento Sustentável da Serra Geral). O intrigante e contraditório é que por um lado o envolvimento de associações de base para a execução deste projeto maravilhoso e de outro lado temos o projeto da exploração da jazida de fosfato em Anitapolis. Ambos os projetos tem um apoio do governo de SC. Contraditório porque a exploração do fosfato coloca toda a iniciativa pro-ecodesenvolvimento em risco.

Por que? Como já escrevemos em ensaios anteriores, a exploração do fosfato em Anitapolis é incompatível com o ecodesenvolvimento, pois com a poluição dos rios, do ar e com o desmatamento na serra do Rio do Pinheiro coloca em risco a qualidade ambiental que é o principal elemento de atração da região.

A Floresta Altantica Ombrofila Densa do Rio do Pinheiro EXISTE



A imagem da floresta cobrindo as encostas da Serra do Pinheiro ilustram a beleza e a biodiversidade abrigada em seus recôndidos. Já mencionamos em outros ensaios que uma rica e rara fauna de aves de rapina ainda persistem nas encostas destas serras catarinenses. Esta imagem é para mostrar a todos que existe mesmo uma floresta atlântica ombrófila densa muito importante na Serra do Pinheiro que não aconteça como aconteceu com a mata de Araucária em Barra Grande que passou invisível nos relatórios de impacto ambiental, levando ao IBAMA aprovar a obra.

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