Tuesday, January 26, 2010

AVATAR É AQUI





Acabo de assistir o filme AVATAR de James Cameron. É um filme que tem rendido controvérsias mundo a fora. Em alguns desencadeia um sentimento de incômodo por retratar uma situação familiar a milhares de pessoas no mundo que é o uso dos recursos naturais por um grupo econômico. Incômodo porque é um assunto mesmo controvertido discutir se é ético ou não exaurir recursos naturais não renováveis. Incômodo porque alguns rebaterão críticas argumentando que a humanidade necessita desses recursos. Outros mais irracíveis perguntarão como eu critico isso usando computador, andando de carro e vivendo numa cidade moderna. O filme ainda desancadeia em outros milhares de pessoas um sentimento de admiração pela estória e as imagens criadas na mente do James Cameron. Milhares se identificaram com o enredo do filme, mais especificamente com o povo azul do filme que vive em comunhão com a natureza. Chineses entraram em êstase e se revoltaram vendo similaridades entre o enredo do AVATAR e o que vivenciaram na construção das barragens nas Tres Gargantas. Essa revolta do povo levou o governo chines a não mais exibir o filme.

O processo todo da tentativa da obtenção do licenciamento ambiental para a exploração da jazida de fosfato da Industria Catarinense de Fertilizantes do grupo Bunge e Yara lembra muito o filme AVATAR. Relatos de moradores sobre reuniões entre os empreendedores e moradores do Rio do Pinheiro em Anitápolis parecem cenas do filme. Contam alguns que durante uma dessas reuniões, as respostas as perguntas feitas pelos moradores foram preocupantes. Uma moradora de idade avançada teria perguntado aos empreendedores e representantes do órgão de gestão ambiental do estado catarinense como seria resolvido a questão do ruido provocado pela mineração, ao que foi respondida pelo executivo do empreendimento que plantar alguns eucaliptos nas encostas entre sua casa e a fosfateira abafaria o som. Outra moradora estava preocupada com possiveis incômodos causados pelos peões da empresa as moradoras, pergunta que foi respondida por uma técnica do órgão gestor ambiental do estado dizendo que isso não seria problema, pois os trabalhadores permaneceriam confinados na área da empresa. O fato foi que o parecer do Comité de Bacias de Tubarão estudou com afinco o EIA RIMA da IFC e concluiu que a exploração do fostato em Anitapolis apresenta sim riscos eminentes ao meio ambiente e também à população da região toda. O estudo do comité de bacias apontou sérios erros técnicos no EIA RIMA que minimizavam riscos. O mais significativo foram as decisões judiciais que vem mantendo a liminar da Associação Montanha Viva embargando a obra. O principal critério nessas decisões foi a questão das nascentes. Enquanto os empreendedores acreditam que tem o direito de usar a água para processar o fosfato, a justiça acredita que a água é um bem da humanidade e não de um proprietario em particular. Mais ainda, a água é um bem perene as comunidades do Rio Braço do Norte e não podem ter sua qualidade e integridade comprometida pelas atividades de mineração nas nascentes. Esses pontos todos remetem esse caso ao filme AVATAR.

Outro ponto curioso é que a IFC e seus proprietários da Bunge e Yara afirmam que seu empreendimento seria sustentável, palavra que virou a expressão máxima no mundo empresarial dos dias de hoje. É uma palavra que vem sendo utilizada sem o minimo conhecimento do seu significado biológico que diz ser sustentável "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas". O gráfico acima mostrando o uso atual do fosfato e a projeção para o futuro breve demonstra a que a mineração do fosfato é insustentável.

Em primeiro lugar, mineração é a exploração de recursos naturais que não se renovam com o tempo. Mineração é a exploração do minério até esgota-lo. Isso tem sido registrado em todo o nosso mundo moderno e passado.Mineradoras seguem uma trilha, pulando de uma para outra jazida, deixando para traz um rastro de deterioração e contaminação ambiental. Convém nesse momento chamar a atenção a tendência cada vez mais intensa de donos de mineradoras clamarem que seu trabalho é sustentável. Se eles exploram um minerio até sua exaustão, não é por definição uma atividade sustentável,pelo contrário, é uma atividade insustentável.

Os moradores do Rio do Pinheiro em Anitápolis e demais cidades ao longo do Rio Braço do Norte e suas nascentes tem sim muito de parecido com os seres azuis do filme Avatar.


5 comments:

daniela lima said...

Jorge, vi avatar, e lendo seu artigo agora vejo que o filme cai direitinho para o caso da fosfateira aí e em tantos outros lugares... a não vejo como a mineração possa ser sustentável e as medidas mitigatórias vem sempre há um longo prazo.
O filme deveria ser passado gratuitamente p povo aí... quem sabe todos não se pintariam de azul e defenderiam com sua vida a floresta de vcs!!!
abssssss

Anonymous said...

Não deixem os gringos ganaciosos e os funcionarios publicos vendidos de Florianopolis destruirem nossa mata atlantica!.
Fora com todos eles.!

Barbara said...

É uma pena que nossos governantes colocam o lucro acima de qualquer coisa...O pior é que eles sabem dos prejuízos que irão causar a diversas cidades caso a fosfateira se instale, mas o problema é a falta de consciência desse pessoal que nos representa. Depois quando acontece os desmoronamento de morros, enchentes e tudo quanto é tragédia relacionado à natureza eles se apavoram, classificam a cidade como em estado de emergência e vão pedir dinheiro para recuperar os danos causados, mas não se lembram que muito de tudo isso poderia ser evitado se soubéssemos respeitar e conviver de maneira harmoniosa com a natureza.
O fato de empresas do exterior querer detonar o que não é deles já é comum, mas agora os nossos representantes deixarem que isso aconteça e nós como povo ficar assistindo a tudo de braços cruzados é imperdoável!
O engraçado disso tudo é que a empresa norueguesa Yara estará doando até 2015 um bilhão de dólares para um fundo de conservação da Amazônia e agora contribui para uma agressão à Floresta Atlântica, realmente um absurdo.

Anonymous said...

Este ano temos eleições, seu candidato é à favor ou contra a implantação da fosfateira...a hora de questionar e definir o voto é agora.

Anonymous said...

jorge,
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andré
andrefreyesleben@bol.com.br
obs:teu site está com vírus....