Saturday, April 18, 2009

O CONFORTO APARENTE

Assistimos recentemente o belo filme do Al Gore - a Verdade Inconveniente, que aborda as situações de nossa atualidade em que nossa espécie está embuida na destruição do nosso planeta. Tudo em busca do conforto aparente. Tudo o que acontece em nosso mundo é uma busca pelo conforto. Desde as pessoas mais humildes às mais ricas, todas buscam seu conforto. Seja uma modesta casa, com um sofa e um aparelho de TV, seja em uma mansão com suas inúmeras alternativas de lazer, todos curtem seus momentos de aparente conforto.

O conforto é aparente. Quem, entre as milhares de familias americanas, imaginaria que de um momento para outro seu conforto se transformaria em transtorno, em uma revolução radical em suas vidas? Empregados ontem, desempregados no dia seguinte. Dentro de suas casas ontem, em uma barraca de emergência em um centro de caridade no dia seguinte.

Quem imaginaria que a General Motors, uma das maiores corporações do mundo estaria hoje diante do impasse enfrentando uma eventual falência?A crise na General Motors é apenas a ponta de um iceberg. Em uma linguagem mais próxima ao linguajar do nosso Presidente Lula, a marolinha está afetando praticamente todos. Lula precisa de bons óculos para ver que sua marolinha é na realidade um tsunami.

É justamente nesses momentos que a impulsividade toma conta do bom senso e os governantes começam a colocar os pés pelas mãos. O Governador Luiz Henrique acaba de entrar para a história como o governador mais ignorante em termos ambientais, ao sancionar seu código ambiental monstruoso. Dentro de suas cabeças utilitárias que só pensam no momento aparentemente presente elas tomam atitudes que em vez de melhorar a situação, eles complicam mais ainda o cenário global.

A atual busca desenfreada por produtos de exportação, estamos observando nossos líderes lutarem por colocar mais e mais produtos como minérios e cereais em nossas principais exportações. Exportamos ferro, manganês e outros minerios para paises como a China e outros. Estamos exaurindo nossas reservas minerais a preço de banana, deixando a restauração ambiental dos estragos decorrentes das minerações para que os impostos do povo pague.

Em Santa Catarina estamos observando a luta pelo licenciamento do Projeto Anitápolis que deseja explorar fosfato na Serra dos Pinheiros. Responsáveis pelo projeto falam somente em vantagens. Eles estão certos, pois a possivel exploração do fosfato trará muito lucro aos seus proprietários Bunge e Yara. As atividades dessas empresas em pequenos municipios do nosso pais, geralmente esquecidos pelos governantes por decadas são subsidiadas e isentas de impostos por anos. Consta que no Piaui a Bunge teria muitos anos de isenção de impostos. Os danos causados na cobertura vegetal por suas atividades foram instimáveis. Grandes áreas de cerrado e caatinga foram desmatadas para suprir lenha para a operação das empresas dessa companhia. Enquanto a mata foi queimada para esquentar as caldeiras das empresas, grandes áreas de cerrado foram substituidas pela soja. A agricultura familiar foi substituida pela agroindustria.

Enquanto centenas de quilometros quadrados de cerrado e caatinga estavam sendo queimados no Piaui e sul do Maranhão nós todos estavamos vivendo o nosso aparente conforto em nossas casas assistindo novelas e outras atrações televisivas. Enquanto uns poucos ambientalistas estavam buscando chamar a atenção das autoridades para esses atos ilegais de supreção da vegetação nativa para seu uso como lenha, nossos acadêmicos estavam em seus laboratórios com ar condicionados analizando dados obtidos por seus orientados em algum bioma brasileiro. Apenas mais alguns artigos cientificos serem escritos, trazendo renome aos seus autores. Agora nenhum desses acadêmicos se ofereceria para auxiliar os ambientalistas nas lutas contra a destruição dos biomas. Só o fariam como consultoria paga.

Isso tudo é uma verdade inconveniente que perturba todos os que tem algum bom senso. A pessoas preferem o aparente conforto. O próprios executivos dessas mesmas empresas, preferem o aparente conforto de seus empregos à pensar com mais razão e sugerir aos seus patrões alternativas mais sustentáveis no sentido literal da palavra. Esses mesmos executivos que estão hoje na luta pelo licenciamento do Projeto Anitápolis serão demitidos assim que a marolinha do nosso Presidente Lula bater nas suas empresas amanhã, quando o desconforto será aparente.

2 comments:

Luíza Paiva said...

Parabéns pelo blog! também sou bióloga e sei o qto estes tipos de manifestações são importantes.

BLOG DE UM SEM-MÍDIA said...

Parabéns pelo seu blog.Também tenho preocupações com o meio ambiente e sou contra o desenvolvimento a qq preço. Por isso publico no meu blog muitos artigos do Boff e do Sakamoto. Esta sua matéria será a primeira que vou copiar no meu blog.
aquele abç Dória